Segunda-feira, 21 de maio de 2012

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BRASIL ADOTA DIRETRIZES PARA ÓRGÃOS DOADOS PARA TRANSPLANTES

Foram lançadas, pela primeira vez no país, diretrizes para a manutenção adequada de órgãos de potenciais doadores mortos. O objetivo da cartilha é uniformizar os cuidados para aumentar a qualidade e a quantidade de transplantes de órgãos e diminuir as perdas da preservação incorreta dos doadores durante a espera pela retirada dos órgãos.
Segundo dados de 2010 do Registro Brasileiro de Transplantes, do total de 6.979 potenciais doadores, 1.279, ou 18,3%, foram "rejeitados" na fase de manutenção por parada cardiorrespiratória.
Boa parte dessa perda reflete cuidados inadequados, segundo Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos).
Mas o número de órgãos perdidos por falta de manutenção apropriada é ainda maior, segundo Ferraz Neto. "Mesmo entre aqueles que se tornaram doadores, há casos em que outros órgãos poderiam ter sido usados e não foram por falta de cuidados."
Paradas cardiorrespiratórias são o segundo fator que mais impede a realização de transplantes --o primeiro é a não autorização da família.
Segundo especialistas, a manutenção é feita de forma incorreta por falta de estrutura e de treinamento de profissionais de terapia intensiva.
"Às vezes, não se sabe como manter a pressão e a temperatura em alguém que já morreu. E é diferente", afirma Ferraz Neto. O texto fala em como prevenir a arritmia cardíaca e quais são os remédios e as doses indicados para tratar hipertensão, por exemplo. As diretrizes foram elaboradas pela Amib (Associação Brasileira de Medicina Intensiva) em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes. Segundo Joel Andrade, médico intensivista e coordenador estadual de transplantes de Santa Catarina, faltavam dados organizados sobre o assunto no país.
"Fizemos recomendações com base na literatura mundial, mas adaptadas para a nossa realidade."
A cartilha será distribuída para cerca de 80 mil profissionais que trabalham em unidades de terapia intensiva do país, segundo Fernando Osni Machado, secretário-geral da Amib. "Não é que a gente vá zerar a perda na manutenção, mas dá para reduzir esses números pela metade", afirma.

Fonte: Folha.com
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